O uso da chupeta

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É muito comum os pais ficarem na indecisão: oferecer ou não a chupeta ao seu filho. Será que esse simples acessório traz prejuízos ao desenvolvimento do seu bebê? O Cirurgião-Dentista, mesmo não sendo especialista em Odontopediatria, pode esclarecer as principais dúvidas sobre o assunto.

O reflexo de sucção aparece no bebê já na décima oitava semana de vida uterina. É um reflexo de sobrevivência, já que o bebê precisa sugar para se alimentar, a necessidade de sucção é saciada durante a amamentação no seio materno.

Em inglês a palavra chupeta quer dizer “pacifier”, ou seja, pacificador, o que tranquiliza ou acalma. E é justamente com esse propósito que a maioria dos pais começam a introduzir a chupeta ao cotidiano dos pequenos. A maioria das mães que oferecem chupeta aos bebês fazem isso justamente com a finalidade de acalmá-lo.

A chupeta deve ser oferecida somente após o bebê ter mamado e estiver totalmente satisfeito. Assim, ela será utilizada apenas para suprir a necessidade de sucção não saciada durante a amamentação.

É importante saber que tanto a chupeta comum quanto a ortodôntica trazem sim prejuízos ao desenvolvimento da criança. Os dois modelos produzem alterações nos arcos dentais e na musculatura facial do pequeno.

Quando a criança já tem todos os dentes na boca, o uso prolongado da chupeta pode causar uma mordida aberta anterior, que pode ser definida como a ausência de contato dos dentes anteriores (da frente). Os dentes posteriores (do fundo) estão em contato, mas isso não acontece nos dentinhos da frente.

 

Outros prejuízos que podem causar na criança:

  • Interferência negativa sobre a amamentação: estudos mostram que crianças que desmamam precocemente usam chupeta com maior frequência do que aquelas que são amamentadas por um período maior.
  • A alteração do tônus muscular da musculatura bucal: a fala pode se apresentar com falhas, a mastigação, deglutição e a respiração da criança se manifestam com disfunções, o lábio superior fica encurtado, o lábio inferior fica flácido e virado para fora, ocorre a perda do selamento labial.
  • Possíveis deformações esqueléticas faciais devido à inexistência de bicos comerciais que sejam comparáveis ao bico do peito: mais de 70% das crianças que possuem hábitos de sucção não-nutritiva apresentam algum tipo de maloclusão (mordidas abertas ou cruzadas), como ditas anteriormente.

 

A ligação entre a chupeta e a síndrome do respirador bucal: o ar inspirado pela boca não sofre o processo de filtragem, aquecimento e umedecimento fisiológicos, deixando o sistema respiratório mais vulnerável a doenças em geral, entre outras coisas.

Uma dúvida muito frequente que aparece no consultório é: a chupeta é menos prejudicial que o dedo? Ao contrário do que se costuma acreditar, os danos causados pela sucção prolongada de dedo ou de chupeta são bem semelhantes. A persistência da sucção de dedo não é frequente em crianças bem amamentadas. Mais de 80% das crianças que recebem aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida não apresentam hábitos.

Caso a chupeta já faça parte do cotidiano do pequeno, o melhor é que seja abandonada até por volta dos dois ou três anos de idade. Dessa forma, alguns dos efeitos negativos deste hábito, como a mordida aberta anterior, tendem a regredir. Após essa idade, os problemas progridem, prejudicando não somente os dentes, mas também a fala, a deglutição e a respiração.

 

Selecionei algumas dicas para ajudar os pais a removerem o hábito de seus filhos:

  • Se o bebê só dorme com a chupeta na boca, a mãe pode tirar lentamente após ele adormecer. Desta forma evita-se a formação do hábito prejudicial, de estar sempre com a chupeta entre os dentes.
  • Reduzir o tempo que a criança fica com o acessório, espaçando os intervalos. É uma forma de ele começar a se desacostumar.
  • Não deixar a chupeta à vista, procure não pendurar na roupa da criança. Quanto menos o pequeno ver a chupeta menos ele vai querer.
  • Faça trocas, substitua a chupeta por algo de a criança goste ou pelo qual se interesse.

 

Fonte: Autora Daphene Ozelame Costa – Cirurgiã-Dentista pela USC-Bauru, especialista em Odontopediatria pela FOB-USP, especialista em Ortodontia pela Trevisi Ortodontia e Credenciada Damon System – Blog Dental Cremer.